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Portal O Tempo: Distúrbio de fala é tema de evento

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Objetivo é conscientizar pais sobre transtorno neurológico infantil chamado apraxia

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Marcela e o filho Augusto buscam superar os desafios da apraxia
PUBLICADO EM 13/05/16 – 03h00

Há cinco anos, a pedagoga Marcela Bracarense, 35, precisou peregrinar por consultórios de fonoaudiólogos, neurologistas e pediatras de Belo Horizonte para buscar um diagnóstico para o problema de fala do filho Augusto, 5. Os resultados dos médicos eram inconsistentes e frustraram os pais da criança, que não mediram esforços em busca de uma solução. Hoje, depois de ver uma evolução no tratamento do filho, Marcela integra a organização de um evento que buscará, amanhã, conscientizar pais, profissionais da saúde e a população em geral sobre o distúrbio neurológico chamado “apraxia de fala na infância”.
O encontro é organizado pela Associação Brasileira de Apraxia de Fala na Infância (Abrapraxia) e acontecerá na barragem Santa Lúcia, na região Centro-Sul, de 9h às 13h. O transtorno é caracterizado pela dificuldade da criança em planejar as sequências dos movimentos motores da fala, resultando em erros de produção de sons. Essa complicação afeta principalmente crianças entre 2 e 5 anos e ainda é pouco conhecida no Brasil, o que dificulta a busca por diagnóstico e tratamento.

No caso do filho de Marcela, a situação começou a mudar ano passado, quando uma especialista finalmente identificou o transtorno. “Meu filho teve um atraso de fala significativo, observado desde que era bebê. Ele começou o atendimento com fonoaudiólogos bem novinho, entretanto, não teve uma evolução significativa até 2015, quando, para minha surpresa, um profissional finalmente descobriu que o problema dele era a apraxia de fala.

Em poucas semanas de tratamento, Augusto começou a emitir palavras e até frases completas.

A fonoaudióloga Cinthia Coimbra Azevedo, uma das poucas especialistas no assunto no país, salienta que o tratamento convencional dos profissionais não traz resultados para as crianças com apraxia de fala. O distúrbio ainda não tem cura. Contudo, quando o paciente recebe os estímulos adequados, os efeitos positivos podem ser notados em poucas semanas. “O profissional precisa conhecer a fundo o problema para realizar o diagnóstico preciso”, relata Cinthia.

Famílias devem ficar atentas a sinais de problema

Um levantamento da organização norte-americana American Speech and Hearing Association (Asha), que estuda a apraxia de fala na infância, apontou que, em um grupo de mil crianças na faixa de 1 a 5 anos, dez apresentam distúrbio de comunicação, sendo que, desse total, de 3% a 5% podem ser por causa da apraxia.

De acordo com a Abrapraxia, nem sempre o problema pode ser detectado por exames convencionais do cérebro, como ressonância ou tomografia. No entanto, alguns sinais devem ser notados pelos pais, como demora em balbuciar as primeiras palavras, dificuldade para formar sílabas ou histórico familiar. “Existem técnicas escritas em outras línguas para tratar o distúrbio, e nós as utilizamos por aqui”, disse a fonoaudióloga Cinthia Azevedo.

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