Carrinho

O amor de uma família e a Apraxia – por Juliane Tosin

E ela chegou, um pouquinho antes do esperado, já nos surpreendendo desde o início. Uma bonequinha sonhada! Olhinhos brilhantes e (ainda não sabíamos o motivo) eram olhinhos intensamente expressivos, pois traduziam claramente seus sentimentos. Um anjinho, uma dorminhoca, sorriso e gargalhadas fáceis que, inclusive, são sua marca até agora, no alto dos seus 4 aninhos. A maternidade me caía como uma luva, Gigi seguia e segue até hoje a rotina de sonos e comes e bebes perfeitamente, então isto fazia tudo fluir serenamente. Próximo de 1 aninho, uma pediatra, amiga da família, me chamou a atenção para o tônus da Gigi e deixou no ar que algo não estava seguindo a bíblia dos marcos do desenvolvimento. `A princípio, eu, motivada pelo mantra que ouvia todo dia: “Cada criança tem seu tempo!”, pensei comigo, exagero dela. Porém, logo depois li uma reportagem e nesta uma frase: “Não mate o mensageiro”, foi o estalo. E aí se iníciou uma longa maratona. Gigi atrasou o início do andar, 1 e 8 meses, depois começou a demora em vir as palavrinhas. Passada então a fase da negação, começaram as inúmeras consultas, possíveís diagnósticos , exames sem fim para descartar hipóteses que a clínica médica não daria conta e depois de um tempo, percebi enfim que tinha que me empoderar. Pois percebi que nenhum profissional, por mais competente que fosse, se engajaria na sua causa mais do que eu e meu marido, por um motivo óbvio, ela é nossa! E foi assim, com muito estudo, chegando aos profissionais certos, muitas pesquisas e leitura de artigos que varavam a madrugada, mesmo com o despertador pronto para tocar às 6:30 da manhã e um dia inteiro de trabalho nos esperando, que conseguimos entender melhor o que acontecia com a Gigi. Apraxia de fala (É um distúrbio neurológico, que afeta a produção motora dos sons da fala, pode vir acompanhado de incordenação motora global. Crianças com apraxia entendem o que lhe é dito, querem falar, sabem o que querem, tentam, mas não sabem como fazer). Assim, além do nosso mais infinito amor, podemos lhe dar o suporte mais efetivo para que ela supere este desafio!

Juliane Tosin